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Apresentações de Slides em Sala de Aula: Algumas Reflexões

Há pouco tempo, a lousa e o giz eram os únicos recursos de apoio às aulas expositivas. Lembro que, em minha época de faculdade, se o professor quisesse usar a televisão e o vídeo cassete era necessário fazer um agendamento com, no mínimo, um mês de antecedência, pois havia apenas uma televisão por corredor.  Diante disso, a maioria acabava se contentando com a lousa mesmo. 

Alguns, mais modernos, arriscavam-se com o projetor de slides: era necessário imprimir o conteúdo em várias transparências e andar com pastas e pastas delas.
Hoje a situação é outra. 

Em algumas escolas e universidades existem as salas multimídia e em outras o projetor está presente em todas as salas. Não há nada mais prático: em vez de gastar giz e tempo da aula escrevendo na lousa, os professores passaram a organizar seus conteúdos teóricos em slides, trazendo para a sala somente o arquivo da projeção. 

E na educação remota? A tela compartilhada sempre traz um conjunto de slides para ilustrar e complementar a fala do professor, diante da ausência da lousa física e da interação síncrona. 

Parece tudo perfeito… Mas, não é bem assim… E por quê?

Como toda novidade causa fascínio, muitos educadores acabaram se acomodando com a praticidade e, mais que isso, pensando que preparar a aula se resumia em “preparar os slides”.  E não, o slide não é a aula. Essa é a primeira coisa que gostaria de enfatizar.

Aula é o conjunto: proposta pedagógica, atividades, objetivos, interação entre alunos, conteúdo teórico... Etc… Em resumo: slides são apoio à aula, assim como eram o giz, a lousa, o vídeo na “TV de tubo”. As aulas podem acontecer em atividades práticas e teóricas, momentos expositivos, mas também de diálogos e interações entre os estudantes.

Assim, pensando, temos, também, que os slides de uma aula não são livros digitais, nos quais podemos depositar grande volume de conteúdo, e, muito menos, deveriam servir como “apostilas de estudo” para os estudantes depois da aula.  Não são a salvação de tudo: se você tem bons slides e um planejamento pedagógico ineficiente, provavelmente sua aula não vai cumprir o propósito: engajar todos os estudantes no processo aprendizado.

Mas não sejamos pessimistas ou apocalípticos, como diria Umberto Eco. Os slides são ótimos apoios e podem (e muito!)  enriquecer as nossas aulas e propostas. Basta que saibamos colocá-los em seu devido lugar. 

Apresento a seguir, algumas dicas que não são regras engessadas, mas que fazem parte de minha experiência como educadora e designer. Vale ressaltar que cada contexto é diferente e que algumas turmas amam aulas com slides, outras preferem o método tradicional: são perfis diferentes de aprendizagem, sempre leve em consideração a realidade de seus alunos.

Dicas para preparação de seus slides

1. Pense no slide como apoio à sua aula expositiva.

Não coloque muito texto, selecione apenas o essencial para que o aluno aproveite melhor o que virá em sua fala!

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2. Não coloque todos os tópicos de uma só vez no slide.

Sincronize-os com a sua fala.  (Coloque uma frase na tela e comente. Coloque outra e comente…).

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3. Nunca use fonte menor que 18pt.

Seus slides devem ser legíveis a, pelo menos, 1 metro de distância. ** Sempre use a partir do tamanho 20pt para não errar, caso a fonte seja um pouco menor.

4. Falando em fonte, escolha a que vai usar com cuidado.

Existem fontes serifadas (como a Times, Cambria) que são excelentes para leitura de grande volume de texto impresso e não serifadas (Arial, Calibri) que são mais “modernas” e boas para leitura em tela.  Evite o uso de fontes fantasia (como Comic Sans, Chiller), a menos que você tenha a intenção de apresentar algo menos “sério”.

Obs: este site tem fontes livres você baixar e usar: http://www.dafont.com/pt/

5. Depois de escolher a fonte, brinque com ela.

Use tamanhos diferentes para destaque e aproveite também os outros recursos: espaçamento entre letras, cores, negrito, sublinhado, caixa alta.

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6. Sempre comece com o slide “em branco”.

Muitas pessoas já abrem o Power Point pensando em procurar um template. Eles são muito práticos, mas podem servir para tudo, o que torna sua aula menos original. Se você não tem habilidade para criar um template, use o fundo branco ou com algum elemento – mais discreto o possível – para que ele não se sobressaia diante do conteúdo.

7. Nos tópicos, evite os bullets (aquelas bolinhas em frente ao tópico).

Use outro tipo de marcação ou separe um tópico do outro usando o recurso das caixas de texto.

8. Sempre que possível, use imagens para ilustrar ou substituir os textos de seu slide.

Fuja dos cliparts, que infantilizam o seu trabalho. Prefira fazer a busca em banco de imagens, atentando-se sempre para os direitos autorais!

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9. Ao trabalhar com imagens, atente-se para a sua proporção e também para seu tamanho (resolução).

As imagens no formato bitmap são compostas por minúsculos quadradinhos de cor, que chamamos de pixels. Quanto mais pixels fizeram parte da imagem, maior a sua resolução e, consequentemente, o tamanho e qualidade. Procure sempre imagens maiores, para evitar que ela “estoure” caso você precise usá-la em tamanho maior.

Se precisar aumentar ou diminuir, sempre use os cursores das extremidades e não das bordas.

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10. Escolha com cuidado as cores de fundo e da fonte

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Pense na iluminação do local em que os slides serão apresentados, atentando-se para a legibilidade. Fundo claro e texto claro não combinam! Trabalhe com os contrastes!

Tenha slides (e aulas) memoráveis!

Daniele Oliveira Garcia é doutoranda em Educação, integrante do grupo Perspectiva Ecologista da Educação, da Uniso. Também é Mestre em Comunicação e Cultura, Especialista em Design Instrucional para EaD e graduada em Letras e Design. Tem interesse e paixão pelo estudo das linguagens em suas variadas formas. Trabalha como docente no Ensino Superior nos cursos de Comunicação, Letras e Design.

Este post tem um comentário

  1. Ótimo texto, Dani. As sugestões são excelentes e muito práticas. Interessante,por que devido, talvez, às facilidades dos aplicativos de apresentação, as pessoas se iludem quanto a saber,de fato, criar boas apresentações.

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