You are currently viewing Pedagogias da Educação Online e Aprendizagem Colaborativa

Pedagogias da Educação Online e Aprendizagem Colaborativa

É tempo de transformar o ensino e a aprendizagem pela pedagogia da aprendizagem colaborativa e desenvolver tecnologias que apoiem a aprendizagem em lugar de substituir o ensino. (Harasim, Linda – 2015)


PEDAGOGIAS DA EDUCAÇÃO ONLINE

A Educação a Online, que se apresenta hoje em inegável desenvolvimento no processo da era do conhecimento, exige que pensemos em pedagogias que deem suporte a ela e que abranjam a sua administração, sua história e a motivação dos alunos entre tantas outras que a complementam.  

ANDERSON e DRON (2010), baseados no modelo de comunicação de GARRISON, ANDERSON e ARCHER (2000) analisam as pedagogias que definem as experiências de aprendizagem baseadas no design de aprendizagem e apresentam as três gerações de Pedagogia de Educação a Distância: 

  • Cognitivo behaviorista: onde a aprendizagem é geralmente definida por novos comportamentos ou mudanças de comportamentos adquiridos pelos indivíduos em resposta a estímulo (Edward Watson, John Thordike e B. F. Sue Skinner); 
  • Socioconstrutivista: se articula pela construção de conhecimento e reconhece a natureza social do conhecimento e de sua criação na mente dos aprendizes (Piaget, Vygotsky e Dewey);
  • Conectivista: a aprendizagem é um processo de construir redes de informação, contatos e recursos que são aplicados a problemas reais. A aprendizagem conectivista centra-se na construção e manutenção de conexões em redes que sejam atuais e flexíveis o suficiente para serem aplicadas a problemas existentes e emergentes, onde não cabe ao aluno o papel de memorizar ou compreender tudo, mas ser capaz de encontrar e aplicar conhecimento quando e onde for necessário. (George Siemens e Stephen Downes).

HARASIM (2012), afirma que a educação Online, assim como a educação presencial, inclui uma variedade de implicações pedagógicas e modelos educacionais diversos entre si. Para a autora, as pedagogias e abordagens diferentes podem ser organizadas em duas categorias distintas,  definidas por ela como: Inteligência Humana Aumentada que enfatiza a construção coletiva do conhecimento, a resolução de problemas e o papel crítico do professor, e a  e Inteligência Artificial que promove a substituição de professores por softwares de Inteligência Artificial e reduz a aprendizagem à transmissão individualizada através de palestras em vídeo e questionários online organizados por computador. 

Baseada nessa categorização, a autora afirma que cabe aos educadores familiarizarem-se com o que cada modelo educacional representa para as gerações atuais e futuras de professores e aprendizes pois há uma diferença profunda e crítica entre um modelo de aprendizagem que promove a comunicação, a colaboração e o pensamento crítico e outro modelo que primariamente automatiza a transmissão de conteúdo aos participantes na forma de conferências por vídeo e requer a repetição do conteúdo.

APRENDIZAGEM COLABORATIVA (ACO)

 A aprendizagem social, a comunicação e a colaboração são segundo HARASIM (2012), essencialmente e unicamente humanas e seus princípios fundamentais são embasados em três processos iterativos, mas que avançam ao final através do discurso dos estudantes e da colaboração. São eles: geração de ideia, organização de ideia e convergência intelectual

O foco da Aprendizagem Colaborativa Online é o diálogo e o discurso, fatores primordiais para a aprendizagem e a construção do conhecimento e baseia-se no discurso, onde:

  1. O Professor facilita a aprendizagem através de discussão em grupo; 
  2. Os Aprendizes são introduzidos na linguagem da disciplina para:
  • Compreender o campo; 
  • Aplicar os termos analíticos chave em seu discurso; 
  • Construir o conhecimento, soluções inovadoras e/ou resolver problemas e agir em conformidade.

Dessa forma, a autora entende que os aprendizes adquirem conhecimentos e habilidades em suas disciplinas através de discussões e exposição de seus argumentos, colaborando com indicações de problemas do mundo real. As redes de aprendizagem online possibilitam que professor e estudantes se aproximem e se engajem em conversas a qualquer hora do dia ou da noite, a partir de qualquer lugar do mundo. Ao apresentar o resumo do contexto histórico da educação online, HARASIM (2012) situa o início do século XXI que se tornou um guarda-chuva para três diferentes pedagogias como mostra a figura abaixo, elaborada pela própria autora.

Fonte: Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 24, n. 44, p. 25-39, jul./dez. 2015 

Cabe ao professor na aprendizagem Colaborativa Online, o papel de expert em uma determina área, facilitando a aprendizagem individual e colaborativa de seus alunos. Utilizar discussões e trabalhos em grupo, sempre mediados por um instrutor ou membro da comunidade de conhecimento que irá auxiliar na construção de novos conhecimentos, solução de problemas e geração de inovação no mundo real.

Para que o processo interativo (mas não unilateral) de construção de conhecimento mediante o discurso do aluno se concretize, indica três diferentes fases:

  • A criação de ideias, isto é, a tempestade de ideias para suscitar ideias e coletar perspectivas divergentes dentro de um grupo de aprendizes: muitas ideias diferentes são geradas com base em ideias iniciais sobre um tópico 
  •  A organização de ideias: é quanto os aprendizes comparam, analisam e categorizam as diferentes ideias previamente geradas, novamente através de discussão e debate. Novas ideias e conceitos analíticos são introduzidos pelo material didático do curso e pelo feedback do professor. Os aprendizes começam a ser capazes de identificar e descartar ideias fracas e organizar as melhores ideias em grupos ou categorias. 
  • A convergência intelectual: o objetivo aqui é alcançar um nível síntese intelectual através do entendimento e do consenso (incluindo concordar em discordar). 

A imagem abaixo, ilustra o processo das três fases do processo interativo.

PEDAGOGIA DA APRENDIZAGEM COLABORATIVA ONLINE: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) X INTELIGÊNCIA HUMANA AUMENTA (IHA)

A Inteligência Artificial (IA) é uma realidade hoje na educação, isso é indiscutível, mas qual é o papel do educador e do estudante nessa nova realidade? HARASIM (2012) pontua que na IA o papel de um educador é transmitir informação eficientemente a um estudante, e o papel de um estudante é repetir corretamente ou reproduzir aquela informação (em uma prova ou questionário). Neste contexto, os agentes de IA podem fazer isso melhor e mais eficientemente que um ser humano que não pode por exemplo dar aula aulas a 10 mil ou 50 mil inscritos como cita a autora. Já a IA pode.  Como poderiam os educadores competir com a IA se os cursos forem baseados em modelos educacionais de transmissão de conteúdo e resposta “correta”? 

Essa metodologia de ensino didatizado foi apropriada pela IA nos (MOOOC), Cursos Massivos Abertos que tem como seu ponto fraco a colaboração humana. Apesar de muito divulgados pelas Instituições de Ensino, pois o investimento em tecnologia é muito alto, a autora pontua que as taxas de sucesso são extraordinariamente baixas: apenas 4% dos inscritos completam um curso MOOC, além de afirmar que os MOOC provaram ser inadequados à Educação Superior.

A partir de suas pesquisas, HARASIM (2012) acredita que a Inteligência Humana Aumentada (IHA), no processo de aprendizagem colaborativa online seja um bom caminho para uma experiência de aprendizagem efetiva pois privilegiam a interação, a solução de problemas e o pensamento crítico.

Ao apresentarmos as três pedagogias da educação a distância (ANDERSON e DRON) e realidade da IA e IHA nos estudos de (HARASSIM), podemos entender a que os educadores e IES, devem ter um novo olhar para compreensão da definição de educação online, o que envolve a escolha das diferentes pedagogias e tecnologias nessa modalidade de ensino.

Nesse contexto, dois grandes caminhos de desenvolvimento se apresentam hoje para a educação online: Tecnologias e pedagogias que enfatizam a Inteligência Artificial, que representa o investimento em educação online com fins lucrativos e que não privilegiam a interação, construção de conhecimentos, pensamento crítico e solução de problemas, e a Inteligência Humana Aumentada, indicado como como o mais adequado para uma educação que tenha como prioridade no uso da  tecnologia como “suporte ao aprendizado humano, ao pensamento, à solução de problemas e à colaboração, em lugar de uma educação que reduza a humanidade à servidão ante a tecnologia.”.

Cabe então aos professores que atuam na educação online que estejam cada vez mais engajados na compreensão e aplicação dessas metodologias apresentadas para que possam, de fato, transformar o ensino e a aprendizagem pela via da aprendizagem colaborativa, contribuindo assim para a construção de conhecimento com seus alunos a partir de tecnologias que a apoiem e desmistifiquem a afirmação que a tecnologia irá substituir o professor.

REFERENCIAS

ANDERSON, Terry; DRON, Jon. Three generations of distance education pedagogy. The International Review of Research in Open and Distributed Learning, v. 12, n. 3, p. 80–97, 2011.

Anderson, Terry. Revista Brasileira de Aprendizagem Aberta e a Distância, São Paulo, Agosto 2002. Princípios Teóricos de Educação a Dsitância”, editado por D. Keegan (Londres: Routlege, 1993.

BERNARD, Robert M.; ABRAMI, Philip C.; LOU, Yiping; BOROKHOVSKI, Evgueni; WADE, Anne; WOZNEY, Lori; WALLET, Peter Andrew; FISET, Manon; HUANG, Binru. How does distance education compare with classroom instruction? A meta-analysis of the empirical literature. Review of Educational Research, v. 74, n. 3, p. 379–439, 2004.

CASTELLS, M. The Information Age: Economy, society and culture: the rise of the networked society (vol. 1). Oxford: Blackwell, 1996.

CONRAD, Dianne; OPENO, Jason. Assessment strategies for online learning: engagement and authenticity. Edmonton, AB: Athabasca University Press, 2018.

GARRISON, D. Randy; ANDERSON, Terry; ARCHER, Walter. Critical inquiry in a text-based environment: computer conferencing in higher education. The Internet and Higher Education, v. 2, n. 2, p. 87–105, 1999.

HARASIM, Linda. Learning theory and online technologies. 2nd ed. New York: Routledge, 2017.

HARASIM, Linda. Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 24, n. 44, p. 25-39, jul./dez. 2015.

LITTO, Fredric; FORMIGA, Marcos (org). Educação a distância: o estado da arte. Vol. 2. 2. ed. São Paulo: Pearson Educaction do Brasil, 2012. Disponível em: <http://www.abed.org.br/arquivos/Estado_da_Arte_2.pdf>.

MOORE, Michael G. Theory of transactional distance. In: KEEGAN, Desmond (ed). Theoretical principles of distance education. New York: Routledge, 1993. p. 22–39.

MOORE, Michael G. Three types of interaction. American Journal of Distance Education, v. 3, n. 2, p. 1–7, 1989.

MOORE, Michael G.; KEARSLEY, Greg. Educação a distância: sistemas de aprendizagem on-line. Trad. Ez2Translate. São Paulo: Cengage Learning, 2014

OLIVEIRA, Marcia Rozenfeld Gomes de (org.). Polidocência na educação a distância: múltiplos enfoques. 2. ed. São Carlos: EdUFSCAR, 2014.

PALLOFF, Rena. M.; PRATT, Kaith. O instrutor online: estratégias para a excelência profissional. Porto Alegre: Penso, 2013.

PALLOFF, Rena. M.; PRATT, Keith. Lições da sala de aula virtual: as realidades do ensino on-line. 2. ed. Porto Alegre: Penso, 2015.

SILVA, Robson Santos da. Gestão de EaD: educação a distância na era digital. São Paulo: Novatec, 2013.

ZAWACKI-RICHTER, Olaf; ANDERSON, Terry. Educação a distância online: construindo uma agenda de pesquisa. São Paulo: Artesanato Educacional, 2015. Disponível em: http://www.aupress.ca/index.php/books/120233

Sobre a Autora: Rosi Vizentim é graduada em Letras Inglês e Literaturas da Língua Inglesa e Especialista em Educação a Distância. Mestre em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (PUC–SP), programa onde desenvolve o seu Doutoramento.

Este post tem um comentário

  1. Gostei do texto. Tem muito valor, especialmente agora, na quarentena em que escolas públicas e particulares parecem estar, em sua grande parte, começando do zero suas teleaulas, sem se dar ao trabalho de conhecer as teorias que há décadas orientam a educação (ou ensino) mediado por tecnologias, conhecer recursos didáticos alternativos e chamando a tudo quanto é aplicativo de “ferramenta”.

Deixe um comentário